Ecografia

A ecografia assume um papel cada vez mais importante na Obstetrícia e Ginecologia
  • Na obstetrícia, desde logo e precocemente, importante para datar de uma forma rigorosa a gravidez, avaliar a sua viabilidade, excluir gravidez ectópica (gravidez fora do útero) e ainda diagnosticar e caracterizar a gravidez gemelar.
  • Um pouco mais à frente , entre as 11 e as 14 semanas, o exame ecográfico volta a ser determinante para excluir já algumas anomalias e no cálculo do risco para aneuploidias – a mais comum é a trissomia 21 (T 21) ou síndroma de Down. Nesta fase a medição da translucência da nuca (que não é mais do que líquido que existe por baixo da pele do pescoço do feto) e a objectivação da presença dos ossos do nariz, quando efectuada por profissionais certificados, transforma-se num valioso teste de rastreio cuja taxa de detecção para a T 21 é de cerca de 75% - a taxa de detecção quando consideramos apenas a idade materna superior a 35 anos ronda os 30%.

Se ao rastreio ecográfico associarmos o rastreio bioquímico do Iº trimestre (doseamento no sangue materno de 2 hormonas produzidas pela placenta– beta hCG livre e PAPP-A- entre as 9 e as 14 semanas, ficamos com um método de rastreio cuja taxa de detecção passa a ser de 92% - é o rastreio combinado do Iº trimestre.
Um bom teste de rastreio, ao ter uma boa taxa de detecção para uma baixa taxa de falsos positivos (bebes com rastreio positivo que não têm T 21), permite-nos propor de uma forma segura a diminuição do número de amniocenteses e, consequentemente, do número de perdas de gravidez após este teste invasivo (o risco de poder abortar após amniocentese é ligeiramente inferior a 1 %)
  • Ás 21-22 semanas realiza-se outra ecografia muito importante que vai complementar a informação da ecografia anterior. É o estudo morfológico que avalia de uma forma sistemática o resultado do processo de organogénese. Este exame permite excluir cerca de 75-80% de malformações do feto, devendo ainda ser feita a avaliação dos riscos de ocorrência de parto prematuro e de restrição de crescimento intrauterino e/ou pré-eclâmpsia (complicação hipertensiva da gravidez), através da medição do colo do útero e da avaliação da fluxometria das artérias uterinas, respectivamente.
  • A última ecografia (caso a gravidez decorra sem complicações) é normalmente feita entre as 30 e as 32 semanas. Neste exame é dado relevo ao crescimento do feto, posição, desenvolvimento dos órgãos e são avaliados parâmetros de bem-estar fetal.
  • As gestações gemelares exigem normalmente a realização de mais exames, sobretudo as monocoriónicas (só com uma placenta).
  • O exame ecográfico convencional (em duas dimensões) deve constituir a base de todo e qualquer estudo do feto. O exame a 3D ou 4D poderá em alguns casos de malformações fetais, esclarecer um ou outro pormenor, sendo dispensável no estudo sistemático e de rotina do feto.
  • A ecografia é indispensável na vigilância da gravidez, tendo dado contributos muito importantes para que hoje possamos compreender fenómenos da vida intrauterina que até há 40 anos eram completamente desconhecidos. Por isso faz cada vez mais sentido que os profissionais que devem realizar estes 3 exames ecográficos anteriormente referidos sejam indivíduos dedicados e motivados para esta área nova e tão específica que é a Medicina Fetal.

Ecografia Ginecológica

O papel da ecografia ginecológica é estratégico no apoio à consulta. Pode-se considerar que a ecografia ginecológica não pode ser separada da prática ginecológica, é parte integrante do seu dia-a-dia.

O apoio da ecografia é, sumariamente:
  • Mulheres enviadas pelos cuidados básicos de saúde (medicina familiar) por sintomatologia e ou exames complementares com alterações, que aparentam ser do foro ginecológico. Colabora no esclarecimento destas situações;

  • Dá apoio ao planeamento familiar, nomeadamente na escolha do método mais adequado;

  • Colabora no casal infértil, na detecção dos factores femininos, tendo também papel relevante, na realização das técnicas de procriação medicamente assistidas;

  • Saliente-se a sua importância na orientação cirúrgica da doente, e na detecção precoce do cancro ginecológico nomeadamente do endométrio e ovários;

  • No climatério e menopausa, auxilia nas opções terapêuticas de compensação hormonal, e na vigilância do endométrio;

  • Papel progressivamente relevante na avaliação da mulher com incontinência urinária.






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